|
A
CIDADE DE BENGUELA
Sob o paralelo 12º 34' 17" hemisfério
austral, e o meridiano 13º 22' 33" leste de
Greenwich, encontra-se na costa de África a oeste,
ao fundo de uma espaçosa baía, a antiga
e conhecida cidade de São Filipe de Benguela.
Hoje,
apenas Benguela ou "Cidade das Acácias Rubras".
Por volta de 1601, desembarcaram as primeiros portugueses,
na chamada Baía das Torres (devido à configuração
do actual Morro do Sombreiro que fica a sudoeste), ou
a Baía das Vacas (devido à riqueza pecuária).
Estes
portugueses seguiam ordens superiores que os atraiam
para ali, pelo facto das riquezas minerais do reino
de Benguela (cobre acima de tudo) e riqueza pecuária.
Acompanhado
pelo seu piloto, numa frota de 4 navios e um patacho,
chegou Manuel Cerveira Pereira à Baía
de Santo António aos 17 de Maio de 1617.
Baía
com salutíferos ares, fértil e abundante
em alimentos naturais, muito e diverso peixe e vizinha
de dois rios que corriam com excelente água.
|
Nesta
baía foi situada a cidade, que o conquistador
Manuel Cerveira Pereira, pôs o nome
de São Filipe, que estava cercada de um
arrochedo muito forte e de espinhos muito ásperos
por cima e por todo ele com os seus baluartes,
necessariamente para o mar e como para a terra.
Devemos
salientar que o principal porto da Baía
das Torres chamou-se Quingongo, nome que caiu
em desuso depois da fundação de
São Filipe.
Levantaram
aí mesmo uma igreja, invocando a S. José
e S. Lourenço, mas este último foi
o escolhido para patrono da cidade.
A
localização de Benguela foi péssima,
devido à insolubilidade dos pântanos,
levando a morte de soldados, oficiais e população
com as piores moléstias.
|
Manuel
Cerveira Pereira
|
A
região foi considerada o Cemitério dos
Brancos, anátema com que carregou durante três
séculos.
Entretanto
começam as lutas com os nativos das redondezas
que se sentiam aos poucos desalojados das suas lavras
e obrigados a abandonar as práticas do feiticismo
em favor da cruz e do trabalho ordenado e colectivo.
Nas Bimbas, deram-se os primeiros encontros com o soba
de Peringue.
A
população inicial de S. Filipe eram de
cerca de 130 Homens. Devido ao paludismo, originado
da presença dos pântanos, em Março
de 1618, só havia 10 brancos (Oficiais, Clérigos
e soldados) e oitenta nativos subordinados. Em 1622
chegaram 70 soldados da Metrópole.
Os
progressos da "cidade" começaram com
a urbe a crescer a pau a pique e a adobe. Exploravam
o sal, faziam o comércio de escravos e dos produtos
primitivos, a partir dos quais reconstruíam receitas
em benefício do próprio colonizador.
Fundação
de São Filipe de Benguela
|
Iniciando
a exploração do cobre, Cerveira Pereira
em 21 de Janeiro de 1621, mandou para o Rei 3 caixas
de Cobre de Benguela, que chegaram a Lisboa a 17 de
Agosto do mesmo ano.
Aos
25 de Maio de 1622, chega a resposta do rei, dizendo
que o cobre era de fraco teor de acordo com os elementos
estudados. Com isto, o sonho doirado do Conquistador,
de 53 soldados e alguns civis degredados que viviam
em S. Filipe, acabava.
Dando
cumprimento às ordens reais para investigar as
vantagens económicas da exploração
do cobre de Benguela, em 15 de Agosto de 1624, Fernão
de Sousa, escreve para o Paço dizendo que não
concordava com a escolha do local para a cidade de S.
Filipe, achando melhor Sumbe Ambuela, visto este porto
ficar mais próximo das minas.
Não
houve mudança da cidade, mas as queixas de Fernão
de Sousa, começaram a surtir efeito e veio ordem
de Lisboa para que Cerveira Pereira voltasse à
Lisboa. Infelizmente a ordem já o encontrara
morto.
Cerveira
Pereira foi substituído por António Pinto,
e depois Lopo Soares Lasso, por escolha de Fernão
de Sousa, então governador de Angola.
Lopo
Soares Lasso, chega a S. Filipe em 10 de Maio de 1627,
acompanhado de cerca de 80 soldados, iniciando assim,
uma campanha de apaziguamento dos sobas das redondezas.
Em
21 de Dezembro de 1641, os holandeses tomaram a cidade
de S. Filipe, onde os vencidos refugiaram-se a cerca
de 40 léguas da cidade, onde muitos deles morreram
e outros abrigaram-se em Massangano.
Rodrigues
Castelhano, em 1648, liberta S. Filipe do jugo dos flamengos,
isto no mês de Agosto.
Em
1650, Salvador Correia, quis mudar a cidade para o local
denominado Catumbela, seduzido pelo rio caudaloso que
ali corre. Mas tal mudança nunca foi realizada,
porque a comissão nomeada por D. João
IV, acabarau por morrer antes de ser iniciada a transferência.
Neste
mesmo ano (1650), houve na costa de Benguela, encontros
entre naus portuguesas e de corsários holandeses
e ingleses, que se dedicavam à pirataria e o
saque de terras a beira mar.
Entretanto,
Francisco de Tavora, governador de Luanda, isto em 1672,
deu ordens ao capitão Carlos Lacerda para assistir
às obras de construção de um hospital,
uma fortaleza e uma igreja, à qual foi posto
o nome de Nossa Senhora do Pópulo. A sua construção
só deve ter terminado em 1748 com o capitão
Roque Vieira de Lima.
Em
1680, houve nova tentativa para se mudar o lugar da
cidade, desta feita para o morro da Casa Branca, ao
fundo da Baía a sudoeste, junto ao mar. Mas sem
efeito, pois abandonou-se a ideia por falta de viabilidade:
estava mais exposto à estorreira tropical e desprovido
de água, o morro da Casa Branca era péssimo
lugar para fundar um aglomerado populacional.
Continua...
|